Movimento Sindical Campanha

Nova diretoria da Contraf-CUT toma posse de mandato 2026/2027

15/04/2026

Grupo realiza ainda primeira reunião executiva preparatória da negociação permanente “Novas Tecnologias, como a IA, e a Atividade Bancária”

A diretoria da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), para o período 2026/2027, tomou posse nesta terça-feira (14), durante cerimônia realizada em Brasília, na Apcef/DF.

Eleita no 7° congresso nacional da entidade, realizado em março, a gestão deste novo período tem 40% de mulheres no quadro – superando a cota mínima de 30% estabelecida em estatuto – além de contar com dois companheiros do ramo financeiro: Talita Regina da Silva (Cooperforte), representando os trabalhadores de cooperativas, e Roni da Silva Oliveira (Casa da Moeda), representado a categoria dos moedeiros.

“Esta é uma gestão que traz tanto continuidade quanto renovação. Continuidade na unidade e capacidade de diálogo, entre várias correntes, que nos possibilitaram, ao longo de toda a nossa história como movimento sindical, proteger direitos e avançar em conquistas para a categoria bancária. Renovação com a chegada dos companheiros Talita e Roni, que reflete a construção de vinte anos da nosssa organização como ramo financeiro, para que sigamos avançando nos direitos às outras categorias”, destacou a presidenta reeleita da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.


Primeira reunião executiva da nova gestão

A nova gestão começou os trabalhos no mesmo dia da posse, com a realização, junto com o Comando Nacional, da reunião preparatória para a mesa de negociação permanente com a Fenaban “Novas Tecnologias, como a IA, e a Atividade Bancária”, que irá ocorrer quinta-feira (16), também em Brasília.

Com o apoio da economista Vivian Machado, técnica da subseção do Dieese na Contraf-CUT, o grupo debateu os impactos das transformações tecnológicas sobre os empregos, serviços e segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

"Em 2025, os bancos gastaram cerca de R$ 50 bilhões no Brasil, entre investimentos e despesas. Atualmente, 75% das transações são realizadas via celulares. Esses são alguns dados que muitas vezes são utilizados pelas empresas pra justificar o enxugamento do emprego bancário e o fechamento de agências. Porém, quando olhamos detalhadamente os dados, vemos que o volume de transações e serviços nas agências físicas é muito significativo", destacou. "Em 2024, por exemplo, os canais físicos dos bancos foram responsáveis por 2% do total de transações financeiras, mas isso significa 3,6 bilhões de transações, o que equivale a mais de 14 milhões de transações por dia", completou a economista.

Com base em uma pesquisa do IBGE, a técnica do Dieese observou ainda que, apesar de 93,6% dos domicílios brasileiros terem acesso à internet, cerca de 30% dos idosos não possuem acesso digital e 42 milhões de adultos no Brasil não utilizam a internet para acessar os bancos ou serviços financeiros. Outro trabalho, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2025, reforçou que a exclusão digital é social e concentrada: 24% da população com mais de 55 anos declararam que precisavam de ajuda para realizar atividades digitais.

O aumento das transformações tecnológicas veio acompanhado do crescimento de fraudes e golpes digitais. "Segundo dados oficiais, em 2024, mais de metade (51%) dos brasileiros foi vítima de alguma fraude ou golpe. O governo estima ainda que os golpes digitais poderão gerar perdas de até R$ 11 bilhões, até 2028 – valor quatro vezes maior do que o registrado em 2023”, disse Vivian Machado.

A pesquisadora do Dieese pontuou ainda que, de acordo com a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, os principais fatores para a escalada de golpes e fraudes digitais são a vulnerabilidade das vítimas, fragilidades do sistema e sofisticação da ação criminosa.


Impactos no emprego bancário

Entre 2013 e 2025, o percentual dos profissionais que atuam na área de Tecnologia da Informação (TI) dos bancos saltou de 2,7% para cerca de 14%. Esse movimento, porém, veio acompanhado da queda de mulheres no setor. 

"Em 2012, a participação das mulheres em ocupações de TI nos bancos era de 31,90%, mas caiu para 24,80%, em 2024. Em paralelo, a movimentação do emprego bancário como um todo - ou seja, considerando todas as funções - passou por um encolhimento significativo. Dos 8,9 mil postos de trabalho reduzidos em 2025, a maioria (5.667) foi de postos que antes eram ocupados por mulheres", contou a economista.

A técnica do Dieese observou também que o trabalho bancário não ficou mais fácil com a escalada da automatização dos serviços. Pelo contrário. “Enquanto reduziam os postos de trabalho, os bancos implementaram a IA, que aumentou significativamente o número de operações. Entretanto, a crescente interdependência à essa nova tecnologia está gerando trabalhadores multitarefas e sobrecarregados. O resultado é o crescimento visível de casos de fadiga mental, burnout, queda na qualidade de decisões e maior rotatividade no trabalho", completou.

Vivian Machado pontuou ainda que a digitalização diluiu a fronteira entre vida pessoal e vida laboral. "Por causa da hiperconectividade, o trabalho passou a invadir as pausas e os finais de semana, provocando no indivíduo a necessidade constante de ‘sempre fazer mais’ o tempo todo, aumentando os riscos de fadiga”, explicou.


Avanços e propostas do movimento sindical

Na renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), em 2024, o movimento sindical bancário conquistou cláusulas para que os bancos se comprometam com a qualificação e requalificação de trabalhadores em IA e novas tecnologias. Na ocasião, a categoria também conquistou as cláusulas de instalação da mesa permanente de negociações "Novas Tecnologias, como a IA, e a Atividade Bancária”.

"Sem controle e regulação, o avanço acelerado das novas tecnologias continuará contribuindo para a redução de postos, precarização, sobrecarga e exclusão de mulheres e negros no mercado de trabalho. Esse cenário deixa claro a importância desta mesa permanente de negociações, como mais um instrumento na luta para que os ganhos da tecnologia sejam compartilhados com toda a sociedade, e não contribuam ainda mais para a concentração de renda”, destacou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicatos dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. 

O uso ético das novas tecnologias para o controle e monitoramento do trabalhador bancário está entre os temas que mais avançaram na referida mesa de negociação, e que será retomado no próximo encontro com os bancos, nessa quinta-feira (16).

Fonte: Contraf-CUT

Outras Notícias