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41º Conecef destaca inclusão de pessoas autistas e homenageia companheiros que marcaram a luta dos empregados da Caixa
18/06/2026
Debate sobre neurodiversidade reforçou a necessidade de inclusão efetiva na Caixa; congresso também prestou homenagem a dirigentes e militantes que deixaram legado na defesa da classe trabalhadora

O 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) abriu espaço, nesta quinta-feira (18), para um momento de reflexão, inclusão e memória. Na mesma data em que é celebrado o Dia Nacional do Orgulho Autista, os delegados e delegadas acompanharam um debate sobre os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Caixa Econômica Federal e, na sequência, prestaram homenagem a companheiros que dedicaram suas vidas à luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Instituído pela Lei nº 15.365/2026, o Dia Nacional do Orgulho Autista busca celebrar a neurodiversidade, combater preconceitos e promover o respeito à identidade das pessoas autistas. Diferentemente do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, a data tem como foco o reconhecimento e a valorização das pessoas autistas em todos os espaços da sociedade.
No Conecef, o tema foi apresentado por integrantes do Coletivo Caixa Autista. A mesa contou com a participação de Larissa Argenta e de Charles Lima, empregado da Caixa, delegado eleito pelo Pará e um dos coordenadores gerais do coletivo.
Autista nível 2, pai de uma criança autista também nível 2 e empregado da Caixa há 12 anos, Charles relatou as dificuldades enfrentadas por trabalhadores neurodivergentes dentro da empresa e defendeu a adoção de medidas concretas para garantir inclusão e acessibilidade no ambiente de trabalho.
“Como pessoa autista e pai de uma criança autista também nível 2, conheço de perto as dificuldades enfrentadas por colegas que muitas vezes trabalham sob intensa pressão, sem adaptações adequadas, sem acolhimento institucional e, frequentemente, sem sequer revelar seus diagnósticos por medo de preconceito, descomissionamento ou retaliações”, afirmou.
Durante sua intervenção, Charles destacou que a invisibilidade da deficiência frequentemente dificulta o reconhecimento dos direitos das pessoas autistas. “Estamos falando de condições para que os autistas possam desenvolver seu potencial profissional em igualdade de oportunidades. O autismo é uma deficiência que não vemos, mas quem convive com ela sofre diariamente as consequências da falta de compreensão e do preconceito”, ressaltou.
Ele também defendeu o reconhecimento das pessoas autistas como pessoas com deficiência, a implementação de adaptações razoáveis no ambiente de trabalho, o combate ao capacitismo e ao assédio moral, a prevenção do adoecimento mental e a capacitação de gestores para promover uma cultura efetivamente inclusiva.
Segundo Charles, a pauta da neurodiversidade precisa integrar de forma permanente a agenda de negociações dos trabalhadores com a Caixa. “A Caixa, por sua função social, deve ser referência em inclusão, promovendo acessibilidade, respeito às diferenças e igualdade de oportunidades para todos os trabalhadores. Nada sobre nós sem nós”, concluiu.
>>>>> Leia a íntegra da declaração de Charles, com reivindicações das pessoas com TEA
Para Rogério Campanate, representante da Federa-RJ na Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, o debate demonstrou a importância de ampliar o olhar do movimento sindical para temas que impactam diretamente a saúde, a dignidade e a permanência dos trabalhadores no emprego. “A fala do Charles trouxe para o centro do debate uma realidade que muitas vezes permanece invisível. O movimento sindical tem o compromisso de defender todos os trabalhadores e trabalhadoras, especialmente aqueles que enfrentam barreiras adicionais para exercer plenamente seus direitos. Inclusão não pode ser apenas discurso institucional; precisa se transformar em políticas concretas, respeito e acolhimento dentro da Caixa”, afirmou.
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará e representante da Fetec-CUT/CN na CEE/Caixa, Tatiana Oliveira destacou a relevância da participação do Coletivo Caixa Autista no congresso e o fortalecimento da organização dos trabalhadores neurodivergentes.
“Foi muito importante garantir esse espaço no Conecef. O Charles veio como delegado eleito pelo Pará e representa uma pauta que ganha cada vez mais força dentro da categoria. O movimento sindical precisa ouvir, acolher e incorporar essas demandas, para que a inclusão seja uma prática efetiva e não apenas uma intenção”, destacou.
Memória e homenagem aos companheiros de luta
Após o debate sobre neurodiversidade, o Conecef realizou um dos momentos mais emocionantes de sua programação ao homenagear companheiros que deixaram um legado de luta e compromisso com a classe trabalhadora.
Foram lembrados Octacílio Ramalho, histórico militante da oposição bancária no Rio de Janeiro; Samuel Pereira, empregado da Caixa da área-meio de Pernambuco; e Daniel Machado Gaio, dirigente sindical e referência nacional na defesa dos trabalhadores.
Bancário da Caixa, sociólogo, mestre em Políticas Públicas da Educação e ex-dirigente da Contraf-CUT e da CUT Nacional, Daniel Gaio construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos sociais, pela luta ambiental e pela valorização da organização coletiva dos trabalhadores.
Durante a homenagem, foi exibido um vídeo que resgatou sua trajetória e destacou sua capacidade de construir pontes, dialogar e inspirar pessoas por onde passou.
“Daniel acreditava na força coletiva. Sabia dialogar, escutar e construir pontes. Com alegria, firmeza e esperança, ajudou a semear caminhos para uma sociedade mais justa, solidária e sustentável”, destacou a narração exibida no congresso.
Tatiana Oliveira relembrou a amizade construída ao longo de mais de duas décadas de militância. “Esse foi um dos momentos mais emocionantes do 41º Conecef para mim. Primeiro pela participação do Charles Lima e pela importância da pauta que ele representa. Depois, pela homenagem ao Daniel Gaio, meu amigo pessoal há mais de 20 anos. Foi uma perda muito dolorosa. Produzimos o vídeo e fiz questão de narrá-lo, emprestando minha voz para registrar a honra que foi conhecer uma pessoa tão generosa, solidária e apaixonada pela vida e pela luta coletiva”, afirmou.
Entre aplausos, emoção e palavras de reconhecimento, o Conecef reafirmou que a construção de uma Caixa mais inclusiva e mais humana passa tanto pelo respeito à diversidade quanto pela preservação da memória daqueles que dedicaram suas vidas à defesa da categoria.
Daniel Gaio, Octacílio Ramalho e Samuel Pereira: presentes, hoje e sempre.
Veja o vídeo em homenagem a Daniel Gaio
Fonte: Contraf-CUT